mercoledì 5 gennaio 2022

O estrangeiro

 


Ecco la canzone che da il titolo all'album di Caetano uscito nel 1989: "Estrangeiro".

Caetano ricorda : "Arto Lindsay mi aveva proposto di produrre un mio disco, insieme a Peter Scherer, il suo socio in Ambitious Lovers,io avevo già iniziato la produzione dell'album Caetano con Guto Graca Mello. Bob Hurvitz, dell'etichetta americana Nonesuch, che aveva già realizzato un mio album a New York (Album registrato in due giorni, pezzi solo chitarra e voce), voleva fare un altro disco con me lì, allora ho messo in contatto i due e così è nato "Estrangeiro". È un disco di cui molti parlano bene. Mi piace. Penso di aver pensato prima al titolo del disco e poi di scrivere la canzone. Ho sempre saputo che nel titolo dell'album non sarebbe apparso l'articolo determinativo, ma nel titolo della canzone sì. È un pezzo dalle liriche molto buone. “Ara/ela”—“aro/elo” sono un'interessante coppia di rime e il ricordo di Dylan alla fine è molto divertente".


Andiamo adesso a vederci un po' di esibizioni dal vivo della canzone, iniziando con quella del 1989 durante la cerimonia di promozione dei "Globo de ouro". Veloso ne riceverà ben due legati all'album "Estrangeiro":



Nel 1990 Caetano suona "O Estrangeiro" al Circo Voador:




Nel 1995 durante l'Heineken festival la canzone viene eseguita insieme a Jacque Morlembaum che la impreziosisce con il suo violoncello:


Concludiamo vedendoci la clip ufficiale della canzone:


O ESTRANGEIRO

O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara

O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela

A Baía de Guanabara

O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara 

Pareceu-lhe uma boca banguela

E eu, menos a conhecera, mais a amara?

Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela

O que é uma coisa bela?

O amor é cego

Ray Charles é cego

Stevie Wonder é cego

E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem

Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?

Uma arara?

Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara

Em que se passara passa passará o raro pesadelo

Que aqui começo a construir sempre buscando o belo e o Amaro

Eu não sonhei:

A praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e óleo

diesel

Sob meus tênis

E o Pão de Açúcar menos óbvio possível

À minha frente

Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas

À áspera luz laranja contra o quase não luz, quase não púrpura

Do branco das areias e das espumas

Que era tudo quanto havia então de aurora

Estão às minhas costas um velho com cabelo nas narinas

E uma menina ainda adolescente e muito linda

Não olho pra trás mas sei de tudo

Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo

Mas eu não desejo ver o terno negro do velho

Nem os dentes quase-não-púrpura da menina

(Pense Seurat e pense impressionista

Essa coisa de luz nos brancos dente e onda

Mas não pense surrealista que é outra onda)

E ouço as vozes

Os dois me dizem

Num duplo som

Como que sampleados num Sinclavier:

"É chegada a hora da reeducação de alguém

Do Pai, do Filho, do Espírito Santo, amém

O certo é louco tomar eletrochoque

O certo é saber que o certo é certo

O macho adulto branco sempre no comando

E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo

Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita

Riscar os índios, nada esperar dos pretos"

E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento

Sigo mais sozinho caminhando contra o vento

E entendo o centro do que estão dizendo

Aquele cara e aquela:

É um desmascaro

Singelo grito:

"O rei está nu"

Mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é‚ mais

bonito nu

E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo

E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo.


("Some may like a soft brazilian singer

But I've given up all attempts at perfection")

TRADUZIONE

Il pittore Paul Gauguin amava la luce della baia di Guanabara
Il cantautore Cole Porter amava le luci della notte nella
Baia di Guanabara
L'antropologo Claude Lévi-Strauss odiava la baia di Guanabara
Gli sembrava una bocca sdentata
E io, meno la conoscevo, più l'amavo?
Sono cieco dal vederla così tanto, dall'avere la sua stella
Cos'è una cosa bella?
L'amore è cieco
Ray Charles è cieco
Stevie Wonder è cieco
E l'albino Hermeto non vede molto bene
Una balena, una telenovela, un liuto, un treno?
un macao?
Ma Guanabara era sia bella che sdentata
Cosa succederà il raro incubo passerà?
Che inizio a costruire qui, sempre alla ricerca del bello e dell'Amaro
non ho sognato:
La spiaggia di Botafogo era un marciapiede mobile di sabbia bianca e petrolio.
diesel
sotto le mie scarpe da ginnastica
E Pan di Zucchero il meno ovvio possibile
Davanti a me
Un Pan di Zucchero dai bordi insospettabili
Nella ruvida luce arancione contro la appena chiara, appena viola
Dal bianco delle sabbie e delle schiume
Che era tutto quello che c'era allora all'alba
Dietro di me c'è un vecchio con i capelli nelle narici
E una ragazza che era ancora un'adolescente e molto bella
Non guardo indietro ma so tutto
Cieco al contrario, come nei sogni, vedo quello che voglio
Ma non voglio vedere il vestito nero del vecchio
Né i denti quasi non viola della ragazza
(Pensa Seurat e pensa impressionista
Questa cosa leggera nel dente e ondulare i bianchi
Ma non pensare che sia surreale che sia un'altra onda)
E sento le voci
i due mi dicono
In un doppio suono
Come se fosse campionato in un Sinclavier:
"È il momento della rieducazione di qualcuno
Dal Padre, dal Figlio, dallo Spirito Santo, amen
È pazzesco prendere l'elettroshock
Il diritto è sapere che il giusto è giusto
Il maschio bianco adulto sempre al comando
E il resto al resto, il sesso è il taglio, il sesso
Riconoscere il valore necessario dell'atto ipocrita
Cancella gli indiani, non aspettarti niente dai neri"
E io, meno straniero sul posto che in questo momento
Vado più solo camminando controvento
E capisco il nocciolo di quello che stanno dicendo
Quel ragazzo e quello:
è un debunking
Grido semplice:
"Il re è nudo"
Ma mi sveglio perché tutto tace di fronte al fatto che il re è di più
bella nuda
E vado e amo il blu, il viola e il giallo
E tra il mio andare e quello del sole, un anello, un legame.

("A qualcuno potrebbe piacere un morbido cantante brasiliano
Ma ho rinunciato a tutti i tentativi di perfezione")

ACCORDI

( C#m Abm7 )
O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
A Baía de Guanabara
O antropólogo Claude Levy-strauss detestou a Baía de Guanabara:
Pareceu-lhe uma boca banguela.
E eu menos a conhecera mais a amara?
Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela?
    E         Bbº
O amor é cego
     F#m7       B7
Ray Charles é cego
Bm7               E7/9
Stevie Wonder é cego
               A7+                           D7/9
E o albino Hermeto não encherga mesmo muito bem
( C#m Abm7  )
Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?
Uma arara?
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
Em que se passara passa passará o raro pesadelo
Que aqui começo a construir sempre buscando o belo e o amaro
Eu não sonhei que a praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e de óleo diesel
Sob meus tênis
E o Pão de Açucar menos óbvio possível
À minha frente
Um Pão de Açucar com umas arestas insuspeitadas
À áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
Do branco das areias e das espumas
                                      E
Que era tudo quanto havia então de aurora
( C#m Abm7 )
Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas
E uma menina ainda adolescente e muito linda
Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
Nem os dentes quase não púrpura da menina
(pense Seurat e pense impressionista
Essa coisa de luz nos brancos dentes e onda
Mas não pense surrealista que é outra onda)
   E         Bbº
E ouço as vozes
   F#m7      B7
Os dois me dizem
     Bm7   E7/9
Num duplo som
               A7+               D7/9
Como que sampleados num sinclavier:
( C#m Abm7 )
"É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do espirito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato Hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos"
E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela:
     E     Bbº
É um desmascaro
  F#m7     B7
Singelo grito:
   Bm7         E7/9
"O rei está nu"
         A7+                                                             D7/9
Mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú
( C#m Abm7 )
E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo.
("Some may like a soft brazilian singer
but i've given up all attempts at perfection").

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