lunedì 24 gennaio 2022

Circulado de fulo

 


Canzone molto particolare questa "Circulado de fulo", Caetano infatti mette in musica un testo di Haroldo de Campos, contenuto nel libro "Galaxias". Il cantato di Veloso è poco melodico, a tratti quasi recitato. Haroldo de Campos è stato un poeta brasiliano, nato a Sao Paulo nel 1929 e morto sempre a Sao Paulo nel 2003. L'opera "Galaxias", dalla quale questo testo è ripreso, fu pubblicata nel 1984

La canzone è dedicata a Josè Almino, scrittore nato a Recife nel 1946.

Sentiamoci la versione studio della canzone e quella "live" contenuta nell'album "Circulado ao vivo" pubblicato nel 1992.



Questa è la versione "live" del 1992 però corredata anche da immagini:



Concludiamo con una performance più recente della canzone, risalente al 2013, Caetano esegue la canzone alla chitarra classica coadiuvato dal violoncello di Morelenbaum:





CIRCULADÔ DE FULÔ

Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie porque eu não


posso guiá eviva quem já me deu circuladô de fulô e ainda quem falta me


dá soando como um shamisen e feito apenas com um arame tenso um cabo e


uma lata velha num fim de festafeira no pino do sol a pino mas para


outros não existia aquela música não podia porque não podia popular


aquela música se não canta não é popular se não afina não tintina não


tarantina e no entanto puxada na tripa da miséria na tripa tensa da mais


megera miséria física e doendo doendo como um prego na palma da mão um


ferrugem prego cego na palma espalma da mão coração exposto como um nervo


tenso retenso um renegro prego cego durando na palma polpa da mão ao sol


circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie porque eu não


posso guia eviva quem já me deu circuladô de fulô e ainda quem falta me dá


o povo é o inventalínguas na malícia da mestria no matreiro da maravilha


no visgo do improviso tenteando a travessia azeitava o eixo do sol


circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie porque eu não


posso guiá eviva quem já me deu circuladô de fulô e ainda quem falta me dá


e não peça que


eu te guie não peça despeça que eu te guie desguie que eu te peça promessa


que eu te fie me deixe me esqueçe me largue me desamargue que no fim eu


acerto que no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me reservo


e se verá que estou certo e se verá que tem jeito e se verá que está feito


que pelo torto fiz direito que quem faz cesto faz cento se não guio


não lamento pois o mestre que me ensinou já não dá ensinamento


circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie porque eu não


posso guiá eviva quem já me deu circuladô de fulô e ainda quem falta me dá


TRADUZIONE

Circuladô da fulô a dio a demodará possa Dio guidarti perché io non lo faccio


Posso guidare eviva che mi ha già dato fulô circoladô e che ancora manca


gli dà un suono come uno shamisen e realizzato con un filo teso e un cavo


una vecchia lattina alla fine di una festa al culmine del sole ma per


altri non esistevano, quella canzone non poteva perché non poteva essere popolare


quella canzone se non la canti non è popolare se non la sintonizzi non la tocchi no


tarantina e tuttavia tirata nelle viscere della miseria nelle viscere tese dei più


toporagno miseria fisica e dolorante dolorante come un chiodo nel palmo di una mano


ruggine unghia cieca nel cuore piatto del palmo esposto come un nervo


tesa un'unghia cieca rinnegata che dura nella polpa del palmo della mano al sole


circoladô da fulô a Dio a demodará possa Dio guidarti perché io non lo faccio


Posso guidare eviva che mi ha già dato una circoladô de fulô e che ancora manca mi dà


le persone sono gli inventallangues nella malizia della maestria nell'imbroglione della meraviglia


nel vischio dell'improvvisazione, cercando di attraversare, oliare l'asse del sole


circoladô da fulô a Dio a demodará possa Dio guidarti perché io non lo faccio


Posso guidare eviva che mi ha già dato una circoladô de fulô e che ancora manca mi dà


e non chiedere


Ti guido, non chiedermi di salutarti, lascia che ti guidi, lascia che ti chieda di promettermelo


che mi fido di te lasciami dimenticare me, lasciami andare, lasciami andare, che alla fine io


Ho capito bene che alla fine rinuncio che alla fine lo aggiusto e per la fine mi riservo


e vedrai che ho ragione e vedrai che c'è un modo e vedrai che è fatto


che per il disonesto ho fatto bene che chi fa ceste ne fa cento se non guido


Non mi pento perché il maestro che mi ha insegnato non insegna più


circoladô da fulô a Dio a demodará possa Dio guidarti perché io non lo faccio


Posso guidare eviva che mi ha già dato una circoladô de fulô e che ancora manca mi dà


ACCORDI

C
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie 
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu circuladô de 
fulô e ainda quem falta me dá 
F7/9
soando como um shamisen e feito apenas com um arame 
tenso um cabo e uma lata velha num fim de festafeira no 
pino do sol a pino mas para outros não existia aquela música
não podia porque não podia popular aquela música se não
canta não é popular se não afina não tintina não tarantina e 
no entanto puxada na tripa da miséria na tripa tensa da mais 
megera miséria física e doendo doendo como um prego
na palma da mão um ferrugem prego cego na 
palma espalma da mão coração exposto como um nervo
tenso retenso um renegro prego cego durando na palma 
polpa da mão ao sol
C             D/C                    C            D/C 
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie 
                    Am                    C
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu 
                D/C                      C
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá 
F7/9
o povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro 
da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia 
azeitava o eixo do sol
C             D/C                  C              D/C
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie 
                      Am                  C
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu 
                D/C                    C
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá 
F7/9
e não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie 
desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe 
me esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto que 
no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me 
reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito e se 
verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem faz 
cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre que 
me ensinou já não dá ensinamento
C             D/C                  C              D/C
circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie 
                      Am                  C
porque eu não posso guiá eviva quem já me deu 
                D/C                    C
circuladô de fulô e ainda quem falta me dá



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